Que vidas encontramos nas redes sociais?
As redes sociais tornaram-se uma parte integrante da vida quotidiana, influenciando a forma como comunicamos, trabalhamos e como nos relacionamos com os outros. No entanto, estas plataformas também criaram um ambiente propício à comparação social, no qual avaliamos as nossas capacidades, conquistas e características pessoais através da comparação com outras pessoas que não sabemos se o que partilham é real ou não.
Embora a comparação entre seres humanos sempre tenha existido, penso que as redes sociais possam ter amplificado este fenómeno. Assim que abrimos o Instagram, TikTok ou Facebook, somos expostos a imagens de sucesso, felicidade, beleza e realização pessoal. Esta exposição contínua pode levar à comparação com aquilo que observamos online, muitas vezes pensando que os outros são mais bem-sucedidos e vivem mais felizes do que nós e conseguem atingir coisas que desejamos.
Contudo, acredito que esta comparação assenta frequentemente numa perceção distorcida da realidade. As redes sociais apresentam apenas uma pequena parte da vida das pessoas, na verdade as pessoas apresentam apenas o que querem apresentar, os melhores momentos, as paisagens mais bonitas da viagem, os momentos mais felizes em família, cuidadosamente selecionados e editados. Este constante esforço para partilhar o melhor da vida omite as dificuldades, os fracassos, as inseguranças e os desafios do quotidiano. Como resultado, acabamos por comparar algo que é apenas nosso, como o nosso percurso, as nossas conquistas e o caminho que está a ser traçado de uma maneira única, com uma versão altamente editada da vida dos outros.
Esta discrepância de realidades (na verdade, uma realidade e outra vida que provavelmente não é assim tão real) pode contribuir para sentimentos de inadequação, baixa autoestima, insatisfação corporal, ansiedade e diminuição do bem-estar psicológico. Quanto mais frequente e intensa for a exposição a estes conteúdos idealizados, maior pode ser a tendência para desenvolver expectativas irrealistas sobre si próprio e sobre a vida em geral.
Por este motivo, acho que se torna fundamental promover uma utilização controlada e consciente das redes sociais. Estar consciente que aquilo que vemos online nem sempre corresponde à realidade permite reduzir comparações prejudiciais e desenvolver uma relação mais saudável com estas plataformas e amenizar o impacto que tem na nossa vida. Em última análise, é importante recordar que a maioria das pessoas partilha os seus melhores momentos, mas raramente mostra a totalidade da sua experiência humana, e é essencial estar consciente disto. Podemos estar a necessitar de uma reeducação ao nível das plataformas sociais para que estejam ao nosso dispor de uma forma saudável, sem entrar nas nossas vidas constantemente, nas nossas casas, nos nossos relacionamentos e amizades, nas nossas refeições e em todos os momentos que podíamos desfrutar e viver mais, sem necessitarmos de pegar no telemóvel para verificar como está a vida das outras pessoas naquele momento.
Tomás Jesus
Psicólogo Júnior – Dialógicos
(Rubrica – Ponto de Reflexão… - Junho 2026)